Nova Iorque Adota Pedágio Urbano para Reduzir Tráfego e Investir em Infraestrutura

Nova Iorque tornou-se a primeira cidade dos Estados Unidos a implementar um programa de precificação por congestionamento nas ruas, em vigor desde agora, 5 de janeiro de 2025. A iniciativa, aplicada na área ao sul da 60th Street em Manhattan, tem como principais objetivos reduzir o tráfego, melhorar a qualidade do ar e arrecadar fundos para modernizar o sistema de transporte público da cidade, incluindo metrôs e ônibus. O programa segue modelos de cidades como Londres, Estocolmo e Singapura.

Motoristas de veículos individuais pagarão US$ 9 (cerca de 55 reais de acordo a cotação de hoje), durante os horários de pico para acessar a zona de congestionamento, enquanto caminhões e ônibus vão desembolsar até US$ 14,40 (cerca de 88 reais). Valores mais baixos vão ser aplicados fora dos horários de pico e descontos estão disponíveis para aqueles que já pagaram pedágios em túneis e pontes ao entrar na cidade. Passageiros de aplicativos de motoristas como Uber e Lyft pagarão taxas adicionais, assim como os de táxis. Algumas exceções foram criadas para moradores de baixa renda e pessoas com deficiências.

A receita arrecadada, estimada em US$ 15 bilhões, será destinada a projetos de infraestrutura, como a extensão da linha Second Avenue do metrô até o Harlem e a modernização de sistemas de sinalização antigos, alguns implementados na década de 1930. Além disso, o plano visa reduzir em 80 mil o número de veículos que circulam diariamente na zona de congestionamento, buscando incentivar o uso de transporte público e a realização de entregas comerciais para horários noturnos.

Apesar dos benefícios esperados, a iniciativa enfrenta críticas e desafios. Motoristas e empresários alertam para os impactos econômicos, incluindo custos adicionais de transporte que podem ser repassados aos consumidores. Moradores de estados vizinhos, como Nova Jersey, consideram a medida injusta, classificando-a como um imposto que vai prejudicar os trabalhadores que precisam se deslocar de carro. Além disso, há muitas reclamações quanto à segurança no sistema de transporte público da cidade. Relatos de crimes, como assaltos e homicídios no metrô, fazem com que muitos nova-iorquinos hesitem em abandonar seus carros.

A implementação do programa foi marcada por atrasos e disputas legais. Originalmente planejado para 2021, o projeto enfrentou resistências políticas e só obteve aprovação federal em 2023. Houve ainda uma outra pausa antes do início em 2024, quando a governadora Kathy Hochul reduziu o valor inicial do pedágio de US$ 15 para US$ 9. A partir de 2028, no entanto, os valores devem aumentar progressivamente, atingindo US$ 15 em 2031.

A cidade também instalou 1400 câmeras e 110 pontos de detecção ao longo das fronteiras da zona de congestionamento para monitorar o tráfego e aplicar as tarifas. A precisão dos dados vai ser algo fundamental para avaliar o impacto do programa e ajustar as medidas conforme necessário.

Defensores do projeto destacam os potenciais benefícios ambientais e de mobilidade urbana. A redução de veículos no centro de Manhattan pode melhorar a fluidez do trânsito e facilitar a movimentação de veículos de emergência, como ambulâncias e caminhões de bombeiros. A maior arrecadação também teoricamente irá possibilitar melhorias substanciais no transporte público, como acessibilidade para pessoas com deficiência.

A iniciativa de Nova Iorque demonstra um esforço importante para mudar a mobilidade urbana em uma das cidades mais congestionadas do mundo. Embora as críticas e incertezas permaneçam, o programa poderá se tornar um modelo para outras cidades norte-americanas se alcançar os resultados esperados. Para isso, será essencial que os dados sobre seus efeitos sejam amplamente divulgados e analisados, permitindo ajustes e aumentando a confiança da população no sistema.

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